27 de janeiro de 2009

COMENTÁRIOS
Caros amigos, como já devem ter percebido, só são publicados os comentários assinados. O anonimato fica reservado ao hate-mail, como manda a tradição. Por isso, pedia que não se esquecessem de assinar, para podermos ir promovendo a discussão.

26 de janeiro de 2009

RECIBOS VERDES

São uma vergonha, desde a forma burocratizada como mês após mês se têm de preencher, quer no que representam de discriminatório, já que exigem, com ar severo, que sejamos todos muito cumpridores, num país em que as leis são usadas de forma despudorada por quem as cria, tem dinheiro para não se chatear a cumpri-las ou é espertalhão para descobrir o jeitinho para dar a volta. A Maria Z. enviou este e-mail, que transcrevo e o link para a petição. Não acredito que dê em nada, ou que haja pressa em resolver, uma vez que os nossos eleitos estão todos com licenças sem (e com) vencimento dos lugares donde (eventualmente) saíram, com contratos de aço e direito a indemnizações, mas enfim.Temos de acreditar nalguma coisa...

"Como sabem desde sempre que trabalho a recibos verdes. Não existe
trabalhador mais desprotegido que o trabalhador dito "independente" a
recibos verdes.

Não temos direito a férias, a estar doentes, licenças
maternidade/paternidade, etc... não recebemos subsídios de qualquer
ordem (baixa, desemprego, maternidade, etc.), não temos uma inspecção
geral do trabalho que nos informe ou apoie (é só para os trabalhadores
dependentes), recebemos ordens de todos e temos horários para cumprir
como todos.

Somos obrigados a pagar todos os meses a segurança social, mesmo que
fiquemos 5 meses sem receber um tostão. Somos obrigados, no final da
prestação do serviço, a entregar o recibo verde em como recebemos
(segundo a lei) mesmo que não tenhamos recebido - o único elemento de
prova que temos em nosso poder que nos serve de garantia de
recebimento ou não - irónico não é?! Se as empresas não nos quiserem
pagar (e existem muitas assim) para as finanças, quem está em falta
somos nós, os trabalhadores independentes que prestaram o serviço, não
receberam mas também não prestaram contas desse serviço (quer tenham
ou não recebido).

Por tudo isto, peço-vos, minhas amigas e meus amigos, familiares, a
recibos verdes ou não, assinem esta petição por todos nós e, quer
resulte ou não, pelo menos tentamos."

PETIÇÃO, AQUI

25 de janeiro de 2009


WHO GIVES A SHIT ABOUT LITERATURE...? NINGUÉM!

Há uns anos atrás, um dos nossos poetas, deputado e tradutor, escrevia (creio que no JL) que os alunos portugueses deveriam seguir o exemplo dos seus colegas franceses e aprenderem, de cor, uma qualquer "Chanson de Roland". Que mais valia isso do que não conhecer nada. Na altura, indignei-me por escrito, etc, etc.
Hoje, ao ver que os alunos do 11º ano ainda são atormentados com o Frei Luis de Sousa, lembrei-me dele. 99,9% odeiam (passam a odiar) esta peça, e muito menos de metade perceberá sobre que diabo se debruçou, mil anos atrás, GarretT. Parece que já são poupados às Viagens Na Minha Terra, os sortudos.
Quando se olha as obras escolhidas para estes milhares de adolescentes, para os interessar pela Literatura, temos vontade de dar um tiro na cabeça, tal a confusão que a coisa nos gera. A pergunta que se coloca não tem a ver com o valor das referidas obras literárias (e mesmo isso, poderia ser questionado...), mas o interesse em chagar a cabeça a esta gente, misturando neste esforço inútil as palavas "Literatura" e "prazer". Aparentememnte, o povo do Ministério que aprova este continuado dislate, acha que basta aos estudantes "terem ouvido falar de Camões, Almeida Garrett ou Cesário Verde. Não interessa se eles querem ler mais alguma coisa destes e muito menos se o pouco gosto pela leitura fica comprometido para sempre.
Como sabem, não tenho pena nenhuma do esforço estudantil. Pelo contrário, acho que até é pouco. O que não acho é que deva ser inútil. Ao serviço de nada. Ou pior, utilizado para os levar a confundir "seca brutal" com "desenvolvimento pela leitura".
Como é que se pode pedir a este gente que aprenda a cozinhar pastelaria fina quando não se sabe estrelar um ovo, ou sequer que eles saem do cu das galinhas?
Não seria melhor trabalhar obras contemporâneas, com incursões nos clássicos, de maneira a criar primeiro a vontade de ler e depois a obrigação de se cultivar?
O mesmo princípio se aplica ao ensino da Filosofia. As boas intenções estão lá, o problema é a abordagem e as linguagens utilizadas. Um horror e um desperdício de tempo de professores, alunos e dinheiros públicos e privados.

24 de janeiro de 2009

SOBRE CARROS E CIDADES

Basicamente, eles comen-na. Todos os dias entram milhares, rosnam, largam gases e depois arrancam de volta aos subúrbios. Passamos os dias a falar mais alto do que gostaríamos, a não conceber a ideia de que o humano e o natural possa ser vivenciado nas ruas largas. E contudo, quando nos levantamos cedo, aos domingos de manhã, percebemos que talvez não tivesse de ser assim.
Quando o presidente da Cãmara de Lisboa, António Costa, subscreve a ideia de retirar os carros da Baixa, muitas vozes se levantam e levantarão contra. São as mesmas que ainda há pouco gritavam que se deveria fumar em TODOS os restaurantes, que acham que não enfardar picanha regularmente é "fanatismo" e que não percebem por que razão se deveria deixar o litoral respirar de casas. Preferem o wiskie à àgua e a luz eléctrica à das estrelas.
Desconfio que se sentirão solitários um dia, no meio das sedas interiores do seu caixão. E, contudo, a relva continuará a crescer sobre os seus corpos.

14 de janeiro de 2009

TODOS OS DIAS SE ESCOLHE

o que fazer com a vida.
Uns lamentam-se da pouca sorte, das doenças, da cegueira dos outros.
Outros vivem embriagados, só respiração rápida, para intoxicar e não pensar.
Outros, com um pouco mais de esforço, dizem a si mesmos que isto não passa de um rio agitado e que temos por baixo uma barcaça frágil e escorregadia. Passam os dias a ser melhores marinheiros. Mesmo se nem sempre sabem muito bem para que servirá...

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10 de janeiro de 2009

A CORPORAÇÃO

Só os mais ingénuos poderão ficar surpreendidos: O Supremo Tribunal (o último, de quem vai a caminho do Céu e ligeiramente antes de se avistar o São Pedro) confirmou a decisão inicial no processo de tutela conhecido como "Caso Esmeralda". Para os mais esquecidos, relembro a reacção irritada da classe de magistrados quando a opinião pública questionou a decisão do tribunal de Torres Novas. Não fosse a teimosia dos pais adoptivos (ex...) e o barulho que os media criaram à volta e a coisa teria ficado ali mesma arrumada. Mas claro que a magistratura portuguesa não aguentaria a "afronta" feita pela maioria dos cidadãos portugueses e tudo faria para "repor a legalidade", como eles gostam de chamar aos seus gestos arbitrários, subjectivos e altamente pessoais, escudados na lei impressa. Aproveitaram as férias do Natal (obrigatórias) da criança em casa do pai biológico para aplicarem o que lhes parecia bem, desde o princípio.
O que interessa se isto fará infelizes 3 pessoas? Nada. Ingénuos os que não percebem que se trata de uma questão de Poder. Os juizes portugueses beneficiam de um estatuto de impunidade que os coloca acima de governos, parlamentos e até dos seus concidadãos. Mas sobretudo, estão para lá da Justiça. E nenhum deles, ou muito poucos, estarão dispostos a abdicar deste privilégio.
O Supremo Tribunal é formado por pessoas eleitas pelos principais partidos. O número e os nomes são negociados. Há casos de leis que passaram no Parlamento, em troca de mais um lugar para este ou para aquele partido. Há um simulacro de democracia nisto.
Este país não é mau de todo. A única chatice é que quando se trata de "fazer justiça", é bom que não se seja pobre ou não se desafie a classe judicial.
Caso contrário, bem podem chorar que o "Estado de Direito" continuará a prevalecer segundo os critérios de alguns.
Lamentável!

ps: uma boa forma de testar este amor paternal seria acrescentar à sentença, a devolução dos 30.000 euros que o pai extremoso embolsou (excluídos os honorários da advogada...). Seria curioso ver onde iria parar tanta determinação.

ps2 (escrito dias mais tarde):
Leio no Mirante que um grupo de assaltantes escapa a uma condenação mais séria, por não ter sido produzida prova suficiente. As suas caras e actos foram claramente identificados junto de dois locais distintos, através de câmaras de segurança, Acontece que o dono de um dos estabelecimentos não tinha "solicitado autorização à Comissão de Protecção de dados para o uso da videovigilância. E a outra tentativa de assalto, com montra partida e tudo, estava colocada na rua, logo não pode ser usada.
Ou seja: ficou provado, mas não ficou provado, porque a prova não levava o impresso B284/123...
Este remate, embora não assente nas razões corporativistas apontadas em cima, ainda assim prova que em Portugal o papel vale mais do que a evidência.

5 de janeiro de 2009

REVISTA "LER"

Por razões que não vêm ao caso, comprei o último número da revista de livros "Ler".
Para que conste, não sou grande admirador deste género de revistas. Nos casos internacionais são, frequentemente chatas, à falta de melhor palavra para definir um conjunto de artigos que não me apetece ler... As tentativas portuguesas ou acrescentam desinteresse ou são inócuas, promovendo light como se fosse paté.
A LER foi uma bela surpresa.
Do grafismo sóbrio à forma sólida como trata os temas for um conjunto de descobertas.
Claro que está muito bem servida de comentadores e críticos (whatever that means por cá...).
Abençoados 5 euros (que me farão gastar ainda mais em livros, helàs!)

4 de janeiro de 2009

O mElhor da Música TUGA

:) E para arrancar o ano, a música desta jovem promessa da música portuguesa. Desde pequeno "que se punha em frente ao espelho", diz ele, acrescentando que o seu "sonho se está a tornar realidade. Tocante.
Embora este vídeo seja interpretado por admiradores, há uma entrevista com o original aqui



Para quê estudar Música quando o sucesso está ao alcance de qualquer microfone.
Força, companheiro!
2009
O passar do tempo traz a algumas pessoas uma coisa formidável: deixam de ter "desejos" que dependem das estrelas para o ano seguinte. Passam a ter objectivos. E isso, meus amigos, é saber que se monta a cabeça do touro enquanto ele esperneia.

30 de dezembro de 2008

2008... está no ir... AGARREM-SE QUE VEM AÍ 2009
(o final da frase vem de um cartoon do António Jorge Gonçalves)


Em termos pessoais, 2008 não foi dos piores. Melhorou até bastante face aos dois anos anteriores. Tenho casa, comida, trabalho e um romance a caminho. Que mais poderia desejar? Férias em Zanzibar? Bom... Isso, sim. Mas tem sempre de se deixar lugar para os projectos difíceis.
Como espero estar longe da net até ao final do ano (2 ou 3 dias), aproveito para desejar a todos um ano bom. Isso mesmo, 12 meses em que o destino sirva para nos melhorar a todos. Mesmo que isso às vezes vá pelo lado mais trabalhoso :)
Aos (raros) inimigos, desejo o melhor. Sobretudo que utilizem a energia que desperdiçam comigo nalguma coisa que lhes dê alegria e os ajude a crescer como pessoas. Isto dura tão pouco que todo o tempo não chega para nos focarmos no amor. Quanto mais nos ódios de estimação...

Boa passagem de ano.
Vem-nos daqui a...,olha: para o ano.

28 de dezembro de 2008

O PIOR DA MÚSICA PORTUGUESA 1

Nesta altura de festa é tempo de pensar nos mais desfavorecidos... (lol)

24 de dezembro de 2008

VALHA-NOS O ALTÍSSIMO!

Foi necessário que Entidade Reguladora para a Comunicação Social rejeitasse a queixa de 122 (cento e vinte e duas, sim) pessoas ou entidades contra um sketche dos Gato Fedorento. Limitaram-se a explicar a estas pessoas que o humor tem, às vezes, um lado um nadinha subversivo. E que tinham de ter paciência com as pessoas que não pensavam ir arder no Inferno sempre que ofendessem a Santa Casa.
Faltou-lhes lembrar que já não se queima por cá ninguém há uns anos, por questões religiosas. Minar-lhes as acções que tiverem no Millenium, ainda vá lá... Mas relaxa-los ao braço secular já não se pode.
Para quem não viu a (inocente) rábula, aqui fica:

22 de dezembro de 2008

FELIZ NAVIDAD!

A todos os amigos. Aos que vejo regularmente, aos que se encontram longe. E até aos que por razões mais ou menos justificadas se desligaram desse compromisso. E aos que já partiram.
Não é só hoje que penso em todos vocês, mas todas as ocasiões são boas para o dizer de novo.





ps: e para os mais próximos que vão do Sul de Silves a Paris, nesta época.

21 de dezembro de 2008

EU E OS OUTROS

Quanto mais o tempo passa, mais me responsabilizo na minha relação com os outros.
Ia desenvolver o tema, mas não me parece que possa ser mais elucidativo do que fui em cima.

17 de dezembro de 2008




CATAGUASES SUBMERSA

O meu amigo Ronaldo Cagiano, mineiro convicto (o que é uma redundância, mas ainda assim o assinalo), envia-me fotos da sua terra, provisoriamente amantizada com Iemanjá. Como os meus leitores saberão, esta cidade do estado de Minas Gerais é a verdadeira capital do Brasil. A grande prova é o número de escritores que tem produzido ao longo dos anos e que se espalham pelo país e pelo mundo fora.
Numa saudação, a seco, aqui fica um abraço e a foto.

16 de dezembro de 2008

A TECLA

carrega-se sempre na mesma, que remédio: há uma justiça para ricos e outra para pobres.
Desgraçado de quem cometer um crime e não tiver bons advogados que distorçam a lei a seu favor. Se houver, tudo se perdoa. Amarra-se o juiz à forma e faz-se cara de pau.
Desgraçado de quem confessa e é pobre. Depois da porrada que a Judiciária não hesitará em lhe dar, vai em prisão preventiva, recebe o "severo rigor da lei" pela boca de um magistrado que finge acreditar no que diz, antes de ser atirado para o meio da selva, entre portas blindadas, onde mais porrada, violações de toda a espécie e necessidade de sobrevivência o ensinarão a prevaricar melhor no futuro.

Os bancos a mesma coisa. Para algum lado teriam de ir as comissões exorbitantes que nos cobram por reterem e usarem o nosso dinheiro. No caso do BCP, afinal, ainda sobrava muito do que se envia para o Vaticano e para financiar as actividades da Opus Dei. Não sabíamos era ser assim tanto.

Ao contrário do que afirmou hoje Mário Soares, não aumentaram significativamente as diferenças sociais nos últimos tempos. O que a crise trouxe foi a revelação dessas diferenças. Enquanto os pobres andavam enganados a endividar-se com cartões de crédito não olhavam para os que passavam no céu, de jacto privado. Agora olham. E cai o Carmo e a Trindade. Mas eles já andavam por cá...

8 de dezembro de 2008

NÃO ÉS BOA MÃE PORQUE NÃO ME QUERES COMPRAR NADA!

gritava hoje uma miúda de 5 anos no supermercado. Depois pontapeou a irmã mais velha e voltou a gritar. Quando cheguei à caixa, estava no final do número: a mãe recusava-se a pagar-lhe mais uma barbie, por isso tentava o truque do choro. Como não resultou em nada mais do que incomodar toda a gente e a mãe se afastou, só restou ao segurança tentar fazer-lhe devolver a boneca. A tomada de decisão nas mãos do segurança do supermercado, porque não se podia forçar a menina...
Devo estar a ficar velho, porque consigo imaginar esta mãe e esta criança, daqui a alguns anos e não acho graça nenhuma ao incidente. Só não tenho pena da progenitora porque acho que a sua desresponsabilização merece o que lhe vai suceder.
Mas tenho pena de nós, o país nas mãos destes ditadorezinhos de fraldas, que vão votar e exigir do Estado que se comporte como a mãe.

7 de dezembro de 2008

A CAMIONETA

Passei a infância a ver passar a camioneta para Amareleja. Vinha por volta das 5h da tarde. Não sabia grande coisa dela. Apenas que passava pela Vendinha e não sei se por qualquer outra aldeia deste Alentejo a descer para Reguengos. Nunca lá fui, nem faço ideia de como seria nesses anos. E a camioneta, apanhei-a uma vez, para visitar parentes próximos, na terra anteriormente referida. Pensei sempre que haveria de ficar num lugar cheio de girassóis. Por causa do amarelo em Amareleja. Era uma coisa solar, na minha imaginação. Hoje, ao ver este vídeo, pensei nisso. Tenha a aldeia sido o que tiver sido, hoje está definitivamente virada para o sol. No melhor sentido do termo.

4 de dezembro de 2008


UFA! ESTAVA A FICAR PREOCUPADO...

...com os salários dos administradores dos bancos. Numa época de tanta ralação, com toda a gente a descobrir que as fortunas da banca assentam (além da exorbitância dos juros e comissões)em falcatruas de toda a ordem, estes senhores (não há "senhoras" no processo, já que isto de dinheiro exige uma confiança que as mulheres, enfim... Já se sabe...Nem fica bem desenvolver... A mulher, o cavalo e o selim... O fado, etc...) precisam de algum conforto. Saber que em média, quer em bancos públicos, quer privados, um administrador recebe 70.000 euros por mês, já tranquiliza. Bastava ver a sala de entrada (na televisão, claro) do BPP para ter uma noção que estamos a lidar com gente muito acima dos portugueses. 70.000 euros enquanto trabalham e alguns milhões de indemnização quando são despedidos, é um mínimo!
Afinal, agora que tanta gente já vai receber 450 euros brutos... há que manter as distâncias.

ps: entendo agora melhor, a razão porque um ex-bancário, agora poeta muito apreciado pela imprensa cor-de-rosa, se surpreendia com desdém à hipótese de ter de viajar com uma companhia aérea. Não concebia outra coisa que ir em jacto privado. Claro. Agora faz sentido.

1 de dezembro de 2008

A DAMA DO VELHO CHICO

É o nome do livro do escritor Carlos Barbosa, meu amigo de Salvador. Não é fácil ser-se escritor no Brasil. A concorrência de talentos é medonha, tantos eles são. E o desinteresse pela Literatura é grande. Daí que a notícia de que o livro do escritor baiano fará parte do equivalente ao nosso Plano Nacional de Leitura, isto é, será comprado aos milhares e distribuído pelas bibliotecas escolares de todo o Brasil, é uma bela notícia. Deixo em baixo, um excerto que faz parecer Carlos da Maia, uma criança de colo, ao pensar em Maria Eduarda, n'Os Maias.

"O corpo fresco de Daura grudava-se no de Missinho por força do declive natural provocado pela concavidade da rede. Missinho mirava as telhas, qualquer coisa ao alcance dos olhos e tentava não sentir o cheiro próprio do corpo da irmã lavado a sabão de coco, e o calor que aumentava a cada segundo na concha que se juntaram.(...) Procurou não se mexer. Pouco adiantava, pois Daura mexia-se de vez em quando e o braço de Missinho roçava novas regiões, acomodava-se em Platôs, escorregava por ribanceiras profundas..." (edição Bom Texto)